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Tensões entre trabalho e família prejudicam mulheres, apontam OIT e PNUD

Mulheres-RevistaABordoAs tensões entre trabalho e família geraram um alto custo para mais de 100 milhões de mulheres inseridas no mercado de trabalho na América Latina e Caribe. O dado é do informe sobre “Trabalho e família”, divulgado no fim de junho pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) e o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

Intitulado como “Trabalho e Família: rumo a novas formas de conciliação com co-responsabilidade social”, o documento foi apresentado em Genebra, durante a 98ª Conferência Internacional do Trabalho. O texto aponta a conciliação entre vida familiar como “uma dimensão fundamental para promover a igualdade e combater a pobreza a partir do mundo do trabalho”.

O relatório avalia que a inserção cada vez mais massiva da mulher no mercado de trabalho exige uma “mudança de paradigma” na relação entre trabalho e vida familiar. Uma nova concepção dos papéis sociais – entre homens e mulheres – tornaria a sociedade mais igualitária e as economias mais produtivas, pontua o documento.

As tensões entre trabalho e família “estão gerando altos custos para as mulheres, para as pessoas que requerem cuidados, e também para o crescimento econômico dos países, o bom funcionamento do mercado de trabalho e a produtividade das empresas”, reforçam a OIT e o PNUD.

Segundo o documento, 53% das mulheres da América Latina e Caribe estão incorporadas ao mercado de trabalho. Essa porcentagem sobe para 70% se considerarmos apenas as mulheres entre 20 e 40 anos. Para as duas entidades, esse avanço “tem tido efeitos importantes na geração de riqueza dos países, o bem-estar dos lares e a diminuição da pobreza”.

O estudo critica o fato de a divisão de tarefas nos lares latino-americanos e caribenhos não acompanharem a quebra de tabus de gênero cada vez mais forte no mercado de trabalho. “Hoje as mulheres compartilham com os homens o tempo de trabalho remunerado, mas não se tem gerado um processo de mudança similar na redistribuição do volume de tarefas domésticas”. A OIT e o PNUD também enfatizam a falta de provisão de serviços públicos em apoio às tarefas domésticas.

As entidades apontam “problemas de rendimento, compromisso e estabilidade nos postos de trabalho” como consequências das tensões entre vida laboral e familiar. Os conflitos “detêm o progresso em matéria de igualdade de gênero e afetam a qualidade de vida das pessoas e do seu redor, o qual redunda em um desaproveitamento da força laboral”.

O informe ainda questiona a qualidade dos empregos disponíveis para as mulheres da América Latina e do Caribe. Para a OIT e o PNUD, muitas mulheres “se vêem forçadas a trabalhar na economia informal ou em trabalhos remunerados nos quais seus salários sejam 70% do que recebem os homens”.

Os responsáveis pelo documento propõem que os Estados, as empresas, os sindicatos, os indivíduos e as organizações sociais estabeleçam estratégias conjuntas de intervenção nas normas trabalhistas, colaborando para uma harmonia entre trabalho e lar. Elas ainda destacam “o importante papel da negociação coletiva” para a resolução desse conflito.

Acesse o informe no site do PNUD – http://www.undp.org/, em inglês, ou em  www.undp.org/spanish, em espanhol.

Fonte: Agência de Informação Frei Tito para a América Latina — ADITAL

 

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