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Não esperemos 2015 chegar

chegar2015O Brasil, assim como outros 190 países em todo o mundo, comprometeu-se a reduzir, até 2015, a mortalidade de crianças menores de cinco anos em 2/3, seguindo uma das oito metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs). Apesar do caminho de avanços que o país percorre, ainda falta muito: a cada dia, 202 meninos e meninas morrem antes de completar seu quinto aniversário, a maioria são negros e indígenas.

Os dados mais recentes, divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em janeiro de 2008, mostram que a taxa de mortalidade de crianças de até cinco anos caiu cerca de 50% entre os anos de 1990 e 2006.

Sem dúvida, este resultado é motivo de comemoração e orgulho, uma prova de que o País é capaz de avançar. No entanto, ainda perdemos, a cada ano, cerca de 74 mil vidas, a maioria por causas que poderiam ser evitadas.

Os dados também mostram que nascer branco, negro ou indígena pode ser determinante das condições de vida e desenvolvimento de uma criança. Em 2006, a taxa de mortalidade de menores de um ano entre os brancos foi de 20,3 por mil nascidos vivos. O número passou para 27,9 por mil entre os negros, 37% maior que entre os brancos. Já entre os indígenas, o índice saltou para 48,5 por mil, 138% maior que entre os brancos.

Em termos regionais, a iniqüidade também é preocupante. As regiões Norte e Nordeste possuem taxas de mortalidade infantil acima da média nacional (24,9 por mil), ficando, respectivamente, em 25,8 e 36,9 óbitos para cada mil nascidos vivos. Na região Sul, a taxa cai para 16,7.

Se recortarmos ainda mais as regiões, veremos grandes disparidades entre as crianças que vivem no Semi-árido, na Amazônia e nas comunidades populares dos grandes centros urbanos e as que estão em outras partes do País.

E nem é preciso muito esforço para perceber a mesma situação dentro de cada cidade, como em São Paulo, por exemplo. Enquanto a taxa de mortalidade infantil no município foi de 13,3 por mil nascidos vivos em 2006, esse índice sobe para 18,3 na Subprefeitura de Parelheiros e não chega a 7 na Subprefeitura de Pinheiros. No mesmo ano morreram 115 crianças no distrito do Grajaú, número que cai para 1 na Vila Leopoldina e em Jaguará.

Na perspectiva da garantia de direitos para cada menina e menino, situações como essas são inadmissíveis. Não podemos deixar nenhuma criança para trás. Cada uma delas importa.

Reverter esta situação requer a adoção de medidas estruturais e que qualifiquem e reorganizem os serviços e fortaleçam os sistemas de saúde, orientados por resultados bem definidos. É preciso integrar os serviços de saúde, educação e assistência social e fortalecer as famílias e a comunidade no aprimoramento dos cuidados de suas crianças. É preciso assegurar atendimento contínuo às mães, recém-nascidos e crianças, realizando intervenções nos momentos cruciais dos ciclos de vida.

É preciso, acima de tudo, vontade política e articulação entre os governos, a sociedade civil organizada, empresas e as próprias comunidades para se investir melhor, de maneira mais enérgica e estratégica, em áreas, públicos e segmentos populacionais já identificados como os mais vulneráveis.

Os ODMs impõem, para todo o mundo, um desafio importante. No entanto, não podemos esperar 2015 chegar para transformar a vida de nossos meninos, meninas e suas famílias. Precisamos trabalhar em ritmo de urgência, porque para uma criança, um dia a mais pode representar a diferença entre viver e morrer.

Artigo publicado originalmente no site Setor 3/ Senac São Paulo.

    • Sobre o autor(a):

    • Sílvio Kaloustian

      é oficial de projetos do UNICEF no Brasil.
O Brasil, assim como outros 190 países em todo o mundo, comprometeu-se a reduzir, até 2015, a mortalidade de crianças menores de cinco anos em 2/3, seguindo uma das oito metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs). Apesar do caminho de avanços que o país percorre, ainda falta muito: a cada dia, 202 meninos e meninas morrem antes de completar seu quinto aniversário, a maioria são negros e indígenas. Os dados mais recentes, divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em janeiro de 2008, mostram que a taxa de mortalidade de crianças de até cinco anos caiu cerca de 50% ...

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