Capa » História da Rede

História da Rede

“Onde foi que a Rede Mãos Dadas começou? Uns dizem que foi no Clade IV em 2000 quando alguns  líderes de organizações cristãs envolvidas no trabalho com crianças no Brasil se reuniram mediados pela então Viva Network (hoje Viva).  Entre eles estavam Derci Gonçalves, então diretor da Compassion e o Serguem Jesui da Silva, então diretor da Visão Mundial. Outros dizem que foi quando o médico aposentado inglês  John Collier veio ao Brasil como facilitador da Viva Network e trouxe na bagagem a ideia de criar uma revista que seria sustentada por várias organizações e que teria o objetivo de fortalecer o trabalho realizado entre crianças e adolescentes vulneráveis.

Para mim, a revista, que mais tarde daria origem à rede,  começou na sala de visita do Rev. Elben Lenz César, em Viçosa, MG, numa conversa com John Collier e Tereza Cristina Belchior dos Santos, no segundo  semestre de 2000. Fui chamada para a conversa porque a Dona Deja (esposa do Rev. Elbem) sabia do meu interesse em colocar as minhas habilidades com a palavra escrita à serviço da causa da criança.
Daquela conversa inicial surgiram outras. Lembro-me de uma  conversa do John Collier desta vez com a Klênia Fassoni, (diretora da Editora Ultimato) na qual ela apresentou os custos de produçâo para uma primeira edição da revista. Ela disse ao John Collier que um bom mineiro só faz negócio depois de comer um quilo de sal juntos. Leva tempo para consumirmos tanto sal. São muitas refeições, muita conversa, muito relacionamento.

Depois a Klênia se encontrou com Mônica Bonilha (na época acessora de comunicação da Visão Mundial) em Belo Horizonte e criaram a estrutura da revista que permaneceu a mesma por 10 anos. Tem também a minha conversa com o João Martinez, então facilitador da Tearfund para o Brasil. Perguntei sobre a proposta que o John Collier tinha lhe enviado e se a Tearfund já tinha uma posição. Ele, com aquele jeito diplomático e cuidadoso de sempre, me explicou o processo para aprovação de propostas. Sua opinião era bem positiva mas não deixou de apontar o que ele cria ser um ponto fraco:  a sustentabilidade.

O Serguem nos deu o impulso inicial empenhando recursos para a Edição 0, uma espécie de protótipo da revista. A Sônia Couto, recém-formada em design, nos presenteou com a logomarca que também continua a mesma até hoje e o Giovanni Scaraccia, jornalista da UFV, nos ajudou na fase inicial além de e prestar seu registro como jornalista nos primeiros anos da revista.

E durante todos estes movimentos, aconteceram muitas visitas do John Collier a Viçosa, muitas refeições, muito sal e uma grande amizade.

O nome “Mãos Dadas” surgiu no meio da noite. Acordei com a frase  “De mãos dadas iremos…” fortemente estampada em minha mente. Me levantei, anotei  num pedaço de papel e voltei a dormir. De mãos dadas expressa para nós a esperança de dar as mãos às crianças e adolescentes brasileiros que lutam por uma vida digna; de fazer isto juntos, com muitas mãos; e de segurar as mãos uns dos outros quando a realidade terrível a que são submetidas nossas crianças nos afeta e angustia profundamente a nossa alma.

Quanto ao sal, posso dizer que tive o grande privilégio de consumir muito, muito sal nestes 10 anos com muitas pessoas, mas em especial com o Lissânder, meu amigo e irmão, que chegou como estagiário e se tornou o coordenador da Rede Mãos Dadas, e com a Klênia que abriu as portas da Editora Ultimato para abrigar a princípio uma revista, depois uma rede, por 10 anos!”

Fala elaborada por Elsie Bueno Cunha Gilbert, editora da Revista Mâos Dadas, por ocasião das comemorações de 10 anos da Rede Mãos Dadas, em 2010.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*