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As crianças e o compromisso com as gerações futuras

Ainda há esperanças! Há algum tempo participei do Seminário Nacional sobre Mudanças Climáticas e Pobreza, e confesso quecoletaseletiva estava muito desacreditado com essa temática até vivenciar dois episódios.

O primeiro foi ver gente de diversos níveis sociais juntos, plenárias com o povo do campo e da cidade, mesas composta de um lado por um doutor nas questões ambientais, um representante do governo e uma mulher apaixonada pela agricultura urbana, e na outra ponta um agricultor agroflorestal.

Era um cenário improvável, onde de início você pensa que pouca coisa de concreto sairia daquele momento e que esse seria mais um exercício em que cada um defenderia sua posição e as questões ambientais ficariam em segundo plano. Mas fui surpreendido, e isso é uma qualidade que somente os seres humanos comprometidos com as gerações futuras podem ser. Alternativas apresentadas, sonhos e soluções compartilhadas, compromissos e pactos assumidos em pequenos grupos e no plenário, desenhavam um cenário de transformação.

“Temos muito que fazer”, essa era a tônica dos discursos, que também diziam “olhem para o que já estamos fazendo” abordando as práticas sustentáveis e transformadoras no campo e na cidade. O conjunto de tecnologias sociais de enfrentamento as questões de Mudanças Climáticas e os discursos teóricos e políticos denunciavam que esse problema não é somente uma questão ambiental, mas também uma questão sócio-política e econômica.

O outro episódio foi uma ligação que recebi de minha sobrinha, de oito anos de idade, uma ligação com um tom de protesto e indignação. Quando consegui entender, percebi que ela estava indignada por motivos ambientais. Sua escolinha estava desenvolvendo o projeto de coleta de material reciclável e a turminha da minha sobrinha decidiu que naquele grupo de amiguinhos, todo mundo deveria fazer a coleta seletiva em casa.

Nesse dia, quando chegou a casa, ela pediu para o pai (meu irmão) um presente e, meu irmão como um bom pai coruja virou e disse: Claro filha o que é? Minha sobrinha responde: “Uma caixa coletora de material reciclável!” Meu irmão não entendeu e ela teve de explicar: “Uma caixa daquelas coloridas que as pessoas jogam lixo separadamente”. “Ah! Sim, respondeu ele, bom… isso não! Isso não é presente, você não quer uma boneca nova?” Ela responde: “Não papai, eu sou a representante de sala e decidimos que todo mundo da nossa turma vai fazer coleta de material reciclado em casa e levar o que for aproveitado para a escola, para aula de artes”.

Meu irmão insistiu que aquilo não era presente para uma menina de oito anos de idade. Resultado: ela me ligou indignada para contar o episódio e pedir apoio para convencer o pai. Após alguns minutos de conversa, minha sobrinha, comprometida com o futuro de nosso planeta, sai vitoriosa e ganha de presente sua caixa coletora de material reciclado, mas… quem deu foi o tio!

    • Sobre o autor(a):

    • Raniere Pontes

      trabalha na Visão Mundial, parceira de Mãos Dadas
Ainda há esperanças! Há algum tempo participei do Seminário Nacional sobre Mudanças Climáticas e Pobreza, e confesso que estava muito desacreditado com essa temática até vivenciar dois episódios. O primeiro foi ver gente de diversos níveis sociais juntos, plenárias com o povo do campo e da cidade, mesas composta de um lado por um doutor nas questões ambientais, um representante do governo e uma mulher apaixonada pela agricultura urbana, e na outra ponta um agricultor agroflorestal. Era um cenário improvável, onde de início você pensa que pouca coisa de concreto sairia daquele momento e que esse seria mais um exercício ...

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